domingo, 31 de agosto de 2014

Escaladas no Sul do Paraná

Estou aqui pra comentar à respeito de algumas escaladas no Sul do Paraná, mais precisamente na região entre Campo do Tenente e Rio Negro, são lugares de rocha arenítica de boa qualidade, em que estão sendo abertas algumas vias, porém lentamente, devido à falta de mão-de-obra (rs), isto é, aqui tem muito trabalho pela frente, muito potencial.
Vale frisar que são locais mais inóspitos com presença de abelhas, cobras, pássaros, bugius, etc e com acessos confusos e sem presença humana próxima, quer dizer: em caso de algum acidente é necessário se virar por conta, pois muitas vezes nem sinal de celular há.
A região é recortada por estradinhas de extração de pinus, um labirinto... e recomenda-se escalar apenas em fins de semana e não acampar nos locais.
O Setor "Matão do Caçador" é o antigo chamado de "Black River Jorge" e também "Estrada pro Lageado", pois o nome "Matão do Caçador" é o já existente do local e após descobrir isso achei por bem manter o nome local, já o Setor "Lagoa do Cerro" trata-se do nome local mesmo.
A região também é muito boa para a prática do mountain bike, a subida em direção à Lagoa do Cerro é de educar as pernas, leve água o suficiente pois os córregos locais não são recomendados para consumo humano, bem como leve alimento (barra de cereal, gel, sanduíche, etc) pois existe grande probabilidade de perder-se e a distância pedalada pode aumentar consideravelmente, um gps com pontos chave plotados previamente (pelo menos onde deixou o carro) vai muito bem para minimizar problemas de orientação, sempre deixar alguém avisado do percurso pretendido, pois um acidente por lá provavelmente demoraria muito para alguém lhe encontrar ao acaso, e talvez algum animal lhe encontrasse antes, já foi vista sussuarana (onça-parda) na região.
Não é algo para amedrontar, mas sim para tornar consciente da realidade da região, que proporciona belos passeios com seus devidos cuidados.



sábado, 23 de agosto de 2014

Climb do bão!!!

Esse post refere-se à uma viagem que fiz com o Élcio e Alessandro pra Petrópolis e Nova Friburgo em 2013, fizemos a via "Raja" na Pedra do Elefante, "Galo Kambô" no Cantagalo e entramos ainda na "Beco da Coruja" em Salinas, quando o Élcio escalava a 3ª cordada e quebrou uma agarra gerando uma queda de uns 12/15 metros em que ele veio a ter algumas contusões e nos mostrou o quão estávamos desgastados e resolvemos descer pra comer a pizza do Serginho rss.










































quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Deus e o Diabo - Ferraria


Visual da parede


Mucho granito arriba

Vale estreito do riacho
Venho aqui compartilhar uma ótima aventura que tive com um camarada muito do empolgado que era o Rodriguera, o gurizinho tava mandando bem mesmo, um certo fim de semana quando escalámos no Setor 3 de São Luís do Purunã e surgiu a idéia de tentarmos a via Deus e o Diabo no Ferraria, uma via imponente numa bela montanha, 500 metros de granito temperado com esticos e móveis, via "da moda" (rs), pois havia sido aberta recentemente e povoava as ambições dos paredeiros de plantão, fomos lá averiguar, conseguimos umas infos com os conquistadores, e fomos fazer um reconhecimento, isto é, tentar achar o início da via, que o acesso se dá por um riacho montanha acima, dá-lhe trepa-blocos no rio, e de repente foi ficando bem complicado e digamos arriscado, quando diagonamos pra direita por uns trepa-matos esquisitos pra tentar visualizar a parede, pra nossa surpresa vimos na mesma altura em que estávamos, mas mais pra dentro da parede, uma parada dupla, foi aí então que concluímos estar vendo a P1 da via e "de cima" achamos a base (rs), descemos pro rio e enfim estávamos na base, beleza, havíamos concluído esta etapa.

Linha da via - fendas
Vale estreito do riacho
Rodriguera no início da via
Numa outra e bem próxima oportunidade retornamos lá com o intuito de entrar na via, saimos após o almoço do Annhangava e fomos de motoca até o sítio do PP, dá-lhe pernada, quando saímos da Trilha da Conceição e entra na trilha que dá acesso à parede, já começou a anoitecer, e em determinado momento, no crepúsculo, ainda não portava a lanterna, quando íamos por encosta acima, de repente naquele lusco-fusco, a alguns metros de mim um animal se assusta e se levanta mais que rapidamente, e se ele se assustou, imagina eu (rs), nos fitamos por um instante e ele bateu em retirada, parecia ser um felino por sua agilidade, foi um momento mágico para mim, de marcar a memória mesmo, bem... continuando, após os trepa-blocos do rio à noite, enfim chegamos à base da via, e resolvemos bivacar para logo cedo, entrarmos na via.

Rodriguera na P3
Amanheceu um belo dia de inverno e lá pelas sete e pouco entramos na via, as quatro primeira cordadas eram de aderência e fluímos rapidamente, mas a via reservava suas surpresas, e na quinta cordada, uma espécie de fenda de corpo protegida em móvel, o Rodriguera, não muito habituado a esta técnica, apesar de termos repetido a Fenda Principal no Marumbi, levou uma queda fator 2, sorte que na P4, e pra baixo dela, havia vegetação que deu uma aliviada no couro do guri (rs), valentemente o Rodriguera, apesar da queda, retornou pro lance e com bastante esforço guiou a cordada.

Radiador fervendo na P5
O menino tá com sede!
Entrei na sexta corda, aquela do pêndulo, que fiz já com uma certa desconfiança, e entrei escalando na canela de mato frágil que se segue, passando um venenos, e também com bastante esforço cheguei na parada, o Rodriguera deu adrenada no pêndulo de segundo, e eu de cima vendo aquilo me fazia lembrar o lance do filme K2 em que parceiro do "Taylor" pendulava para conectar a sequência da via.
Taylor na P6
Chegando na P6 o Rodriguera logo entrou na sétima e travou antes do então crux em livre da via, ia e voltava e o tempo passava, eu naquele momento não estava muito afim de guiar pois na cordada anterior tinha "fritado" os nervos, foi quando ele voltou pra parada e resolvemos parar de correria, e darmos um tempo para nos alimentar, dá-lhe pão com mel! A montanha nos ensinava sua lição, da humildade e respeito à vossa majestade, realmente a via era um pouco mais exigente do que supomos de início e demorávamos demasiado em algumas cordadas.

Então crux livre da via
Saindo do pêndulo
 Após uma boa recuperada de energias e ânimo, lá foi o Rodriguera guiar a sétima e então parecendo outro escalador mandou os lances com maestria, limpei a cordada e já percebi que o estilo de conquista entre a primeira e a segunda metade da via diferia um pouco, digamos que "o buraco era mais embaixo". Entrei na oitava cordada e já logo no início veio um barriga difícil de mandar em livre, então entrei em cliff e estribos, passei o lance e a sequência vinha alguns esticos maiores em lances relativamente fáceis, encontrei uma fita num grampo que guardo até hoje, e segui, logo veio uma passada delicada pra entrar na canela que dá acesso ao platô da P8, confiei na sapata e logo chegava na P8, quando o Rodriguera chegou, a noite praticamente já se fazia presente, eram por volta de 17:40hs, imaginávamos fazer a via em um dia, mas isto não foi possível pelas nossas restrições de escaladores naquele momento para aquele tipo de via, subíamos lentos, também devido às nossas mochilas (40 litros) com tralhas de bivaque pra não passar tanto perrengue de frio na parede, nosso subconsciente já havia nos pregado a peça de um pernoite na parede (rs).
Rodriguera na 7ª cordada

8ª cordada - primeiro trecho de cliff
8ª cordada - primeiro trecho de cliff
P8!
Amanhecer
Bivaque na P8
Ventou bastante à noite e apesar dos equipos, eu passava um frio danado, estava num mini platô mais abaixo e exposto ao vento, meu saco de bivaque não tava segurando a onda e eu tiritava de frio, mas graças a uma grande lona preta que Rodriguera levou consegui me safar um pouco do frio.
Bivaque na P8
Taylor na chaminé da 9ª cordada
Energia renovada
Saída da 9ª
Taylor na 9ª cordada
Amanhece o dia e logo entro na nona cordada, que de uma escalada fácil logo vira uma chaminé que por estar molhada virou um baile de estribos, socava a maior peça no fundo e quando subia no estribo, o corpo insistia em adentar a chaminé, e fui indo meio que em livre e artifo cheguei na P9, já não estava com aquele ânimo todo (rs), quando o Rodriguera chegou na parada, mais indecisão, somente eu dominava (mal e porcamente rs) a técnica de artificial de cliff e mais um erro, mas que para as nossas restrições foi um acerto, dividimos a décima cordada, o Rodriguera que estava melhor no livre que eu fez a fenda em arco inicial chegando na chapa desceu para eu então entrar guiando nos cliffs, lógico que tudo isso também foi consumindo tempo, e lá fui eu, e aos poucos ia galgando furo a furo, e imaginem até então só havia treinado com cliff/estribo em agarra de pedreira e em tope roupe! Que roubada! Putz cada furo acima era mais enervante, pois a chapa ia ficando cada vez mais abaixo e na hora de tirar o estribo de baixo para passar pra cima, quando se fica em somente uma unha digamos, aquilo era um A1 mas pra mim parecia um A4, era de fritar os miolos mesmo, ali pensei em abandonar, mas olhava pra baixo e o Rodriguera não se mostrava nem um pouco animado em experimentar os cliffs e eu sabia disso, sabia que aquele trecho era comigo mesmo, olhei montanha abaixo pensando na desistência, mas só de imaginar em desistir tão perto, pois "só" faltava terminar aquela sequência de cliffs e mais outra sequência pior pra chegar na P10 e daí então uma cordadinha de quarto grau pra acabar a via e trepa-mato pra ir ao cume e descer caminhando, pensei no empenho de rapelar dali e descer os trepa-blocos do rio, que falei pra mim mesmo, "Vamos mais um gole pra cima pra ver no que dá!", o tempo então fechou numa neblina espessa e gelada, e fui me arrastando pelos estribos e cliffs montanha acima, na hora de mudar de furo acho que não mexia nem a sobrancelha (rs), engraçado que num lance você ficava até que de boa numa aderência e voltava cliff, terminado o artificial, eu novamente escalava em livre e perto do fim da cordada, a neblina fechava tudo, e olhando o croqui que possuía tive a impressão da via diagonar pra direita numa canaleta pra chegar na parada, e lá fui eu, mas as coisas foram se complicando e se continuasse iria entrar numas barrigas negativas escorridas de água, era queda na certa e possivelmente me machucaria, desescalei então para a última chapa e lá fiquei tentando encontrar a linha, acima tinha uma canaleta de mato estranha e eu não cria que a via fosse por ali, fiquei tentando achar algum indício em meio àquela neblina toda, foi quando ventou um pouco mais forte e consegui ver no final desta canaleta acima a parada dupla, foi só alegria, me concentrei mais um pouco e logo estava lá, enfim na P10.


Rodriguera no início da 10ª cordada
Taylor na 10ª cordada

Taylor no cliffs da 10ª cordada
"Ombro"
Foi outro ótimo momento da escalada, havia me superado, estava acima do ombro do Ferraria e neste momento o tempo abriu e pude ver o magnífico Ibitirati, consegui ligar pra casa e avisar que estava tudo correndo bem e que logo estaríamos de volta, o Rodriguera veio prussicando e enquanto isso eu me deliciava com aquele visual todo e a sensação de tranquilidade de haver transposto aquela cordada.

Vale estreito do riacho
Tão logo o Rodriguera chegou, já foi guiando a cordada derradeira, e logo nos reunimos na P11 e final da via, a tarde já ia avançada e dá-lhe escalaminhada acima pra tentar a achar a trilha pro cume do Ferraria, após uns 20/30 minutos a encontramos, largamos as mochilas e corremos trilha acima e logo estávamos a assinar o livro de cume. O sol se punha a estas alturas e foi legal estar lá e poder exprimir aquelas sensações nas linhas daquele livro, gostaria de um dia poder reler aquelas palavras...

Los dos ticos malucos
Começamos então a descida, logo apanhamos as mochilas e descíamos "ripando" montanha abaixo, em alguns trechos as pernas fraquejavam, trechos de trilha e de rio pra descer, e entre um tropeço e outro, já de noite chegamos na trilha da Conceição, mais uma boa pernada e chegamos na moto, e mais um pouco de aventura na BR-116 pra chegar em Curitiba, e lá chegando paramos numa pizzaria perto da casa do Rodriguera e devoramos uma pizza gigante e saborosa!
"La Poderosa"















Lembro desta empreitada com bastante saudosismo, valeu Rodriguera pela parceria esteja onde estiver estimado amigo.